SUSSURROS DA ALMA - Carta ao corpo
- faithhopelovetarot
- 29 de mar.
- 1 min de leitura
Querido corpo,
Durante tanto tempo, estive ocupada a cuidar do mundo à minha volta, a atender às demandas dos outros, a esquecer-me de mim mesmo. Fiz de mim um reflexo das necessidades alheias, e tu, silencioso companheiro, carregou o peso do meu esquecimento sem que eu percebesse.
Hoje, o universo acorda-me com gentileza ou talvez com urgência e finalmente escuto o seu sussurro: cada dor, cada fadiga, cada nó da fibromialgia que insiste em me lembrar que estou aqui, viva, mas limitada.
Deito-me agora com humildade. Peço-te licença ao meu corpo dorido, para descansar. Não é rendição, nem fraqueza; é reconhecimento. É dizer que eu te vejo, que eu te sinto, que respeito os limites que carrega por mim.
Prometo ouvir-te mais, respeitar-te mais, ser gentil contigo. Pois percebi que cuidar de mim não é egoísmo; é a única forma de poder existir plenamente, mesmo com a dor que insiste em me acompanhar.
Com ternura e gratidão,
Tânia Mug



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